Conhecendo um pouco mais sobre a utilização dos Óleos Básicos – Parte 2

Os óleos básicos minerais receberam do American Petroleum Institute (API) e do Association Technique de L’Industrie Europeanne des Lubrificants (ATIEL), uma classificação de qualidade, visando a padronização do fornecimento do produto ao mercado. Esta classificação foi feita em seis grupos principais, que distingue o óleo lubrificante básico de acordo com o tipo de técnica de refinação e o processo produtivo utilizado, além das matérias primas envolvidas.

A seguir descrevemos quais são estes grupos e as diferenças dos óleos básicos minerais obtidos em cada processo.

Grupo 1 – Óleo Básico Grupo I

O óleo básico Grupo I, é um derivado do petróleo menos refinado. As primeiras refinarias de petróleo que surgiram no mundo fazem parte deste Grupo. No Brasil, a Refinaria da Petrobrás em Duque de Caxias (REDUC) no Rio de Janeiro, é uma refinaria do Grupo I. Geralmente o óleo básico mineral produzido nesta refinaria, é obtido através e um processo com a utilização de um solvente (processo de refino conhecido por rota solvente, onde são feitas as extrações dos compostos aromáticos e a desparafinação do petróleo com o uso de solvente, com ou sem o hidroacabamento). Neste processo, o óleo básico mineral gerado é menos refinado.

É formado um óleo lubrificante básico que possui uma mistura não uniforme, contendo diferentes tipos de cadeias de hidrocarbonetos. O óleo básico mineral gerado na REDUC, pode apresentar índices de saturação de até 67%, o que significa que 33% do produto são impurezas que podem prejudicar ou comprometer o desempenho de equipamentos. Independente de tal limitação, cabe informar que o óleo básico mineral da REDUC é utilizado na formulação de muitos dos lubrificantes industriais e automotivos comercializados no mercado brasileiro.

Só para mencionar, na REDUC são produzidos várias frações de óleos minerais parafínicos, entre os quais destacamos o óleo básico spindle (com 10 cSt de viscosidade à 40ºc), o OPPA (óleo para pulverização agrícola com 12 cSt), o óleo básico neutro leve (com 32 cSt), o óleo básico neutro médio (com 56 cSt), o óleo básico neutro pesado (com 100 cSt), o óleo básico bright stock (com 550 cSt), o óleo básico cilindro I, entre outras frações. Na Refinaria Landulpho Alves (RLAM) na Bahia que foi privatizada em meados de 2021, também são produzidos outros óleos básicos parafínicos, entre os quais destacamos o óleo básico neutro médio (com 46 cSt) e o óleo básico bright stock (com 450 cSt). Os óleos básicos minerais pertencentes a este grupo, apresentam um índice de viscosidade entre 80 e 119, um teor de enxofre maior ou igual a 0,03 (% em peso) e um teor de compostos saturados menor ou igual à 90 (% em peso).

Grupo 2 – Óleo Básico Grupo II

Os óleos básicos grupo II, recebe, esta classificação quando o processo de refino normalmente é realizado por hidrorefinação, também normalmente chamado de processo rota hidrorefino (Hidrotratamento (HDT) é um processo de refino que consiste na inserção de gás hidrogênio, sob pressão e temperatura adequadas, nas correntes derivadas dos cortes da destilação do petróleo). É um processo mais moderno que o do grupo I, onde se obtém um óleo básico mineral com uma boa estabilidade à oxidação, viscosidade constante e ponto de fulgor elevado. Além disso, estes óleos básicos parafínicos e óleos básicos naftênicos obtidos por este processo possuem boa volatilidade, mas apresentam um desempenho apenas regular no que se refere ao ponto de fluidez à baixa temperatura.

Grande partes da refinarias de óleo básico grupo II estão localizadas na América do Norte, onde possuem uma participação de mais de 45% em relação aos outros tipos de refinarias em operação. O óleo básico grupo 2 apresenta menos impurezas e possuem um desempenho melhor que o óleo básico grupo 1. Um óleo lubrificante básico deste grupo tem que possuir um teor de compostos saturados maior que 90 (% em peso), teor de enxofre menor que 0,03 (% em peso) e um índice de viscosidade entre 80 e 119. Não há produção de óleo básico de primeiro refino deste grupo no país. Encontramos tal operação apenas no processo de rerefino do óleo lubrificante usado.

Grupo 3 – Óleo Básico Grupo III

O óleo básico grupo III é o mais refinado entre os produtos com base mineral derivado do petróleo. Chamado de Rota por Hidroprocessamento e Refino, o produto obtido nestas refinarias, sofre um processo de tratamento, que apesar de não representar grandes alterações químicas ao óleo básico mineral, confere a este uma uniformidade molecular e uma maior estabilidade. São também conhecidos como óleo mineral “hidrocraqueado” ou “molecularmente modificado”.

Mesmo que o produto não tenha sido obtido através de uma síntese química, tanto na Europa como América do Norte, o óleo base mineral gerado neste processo é considerado como um fluído sintético, sendo utilizado como base na fabricação dos óleos lubrificantes automotivos sintéticos. O óleo básico grupo 3 apresenta um desempenho elevado e alta estabilidade. Para pertencer a esta classificação, o óleo básico grupo III, deve possuir um teor de compostos saturados superior à 90 (% em peso), um teor de enxofre menor que 0,03 (% em peso) e um índice de viscosidade maior ou igual a 120. Não há a produção deste tipo de óleo no Brasil.

Grupo 4 – Óleo Básico Grupo IV

Para a indústria fabricante de óleos lubrificante industriais, o óleo básico obtido em refinarias deste grupo, são chamados de óleos sintéticos, já que as matérias-primas originais sofrem reações químicas, quimicamente originando produtos com características totalmente modificadas. O óleo básico grupo IV é conhecido e classificado com a denominação de polialfaolefinas.

O óleo básico grupo 4 possui um baixo ponto de fluidez, um alto índice de viscosidade, um excelente estabilidade térmica e uma ótima resistência à oxidação. As polialfaolefinas apresentam excelentes atributos relacionados à lubrificação, pois possuem um composição química estável e cadeias moleculares uniformes.

Grupo 5 – Óleo Básico Grupo V

Neste grupo encontramos os óleos básicos naftênicos, os ésteres sintéticos e os poliésteres (POE) como poliisobuteno (PIB) e polialquileno (PAG – polialquileno glicol). O óleo básico grupo 5 é principalmente utilizado para a fabricação de aditivos e em processos petroquímicos, possuem excelente estabilidade em ambas as temperaturas quentes e frias e dão proteção superior devido a apresentarem moléculas mais uniformes. Podemos dizer que este grupo contém os óleos com bases especiais, que podem ser tanto minerais como sintéticas. O óleo básico grupo V à base de POE é muito utilizado na fabricação de óleo para compressor de refrigeração. Encontramos vários usos para o óleo básico do grupo 5 à base de PAG, como componente principal para a fabricação de óleo lubrificante sintético para engrenagens, mancais e compressores.

Já o PIB é muito utilizado como aditivo para a fabricação  de lubrificantes industriais, criando um efeito de molhabilidade nas peças metálicas. Os óleos básicos do grupo V são também utilizados como base para a fabricação de lubrificantes de aviação. Cabe informar que os óleos básicos naftênicos são produzidos pela Petrobrás na Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (LUBNOR) em Fortaleza, no Ceará. Os óleos básicos naftênicos que são produzidos na LUBNOR são o óleo básico naftênico NH10 (10 cSt), o óleo básico naftênico NH20 (20 cSt), o óleo básico naftênico NH140 (140 cSt) e o óleo básico NH400 (400 cSt).

Grupo 5 – Óleo Básico Grupo VI

O óleo básico grupo VI foi criado exclusivamente para classificar um tipo de oligômero de olefina fabricado na Europa, chamado de Poli-internal Olefina (PIO), e assim, facilitar e simplificar os processos de aprovação.

A importância de se saber entender a diferença da classificação dos Grupos dos Óleos Básicos Minerais.

Devo utilizar um óleo sintético ou um óleo mineral? Essa é uma das dúvidas mais frequentes na hora de optar pela utilização de um óleo lubrificante em um equipamento industrial ou em um veículo automotivo.

Em resumo podemos dizer que os óleos básicos minerais obtidos por destilação do petróleo, com o uso de processos por extração de parafinas e hidrotratamento podem ser classificados da seguinte forma:

  • Óleos básicos parafínicos: são encontrados e classificados como óleos básicos dos Grupos I, II e III.
  • Óleos básicos naftênicos (e aqui também podemos incluir os óleos básicos aromáticos, que não mencionamos neste texto): são classificados como óleos básicos do Grupo V.
  • Óleos básicos dos Grupos IV, V (exceto os acima mencionados) e VI, são classificados como óleos sintéticos.

Óleo Básico Mineral: onde encontrar?

Os óleos lubrificantes básicos apresentam diversas especificações e são empregados em uma ampla gama de aplicações e diversos seguimentos de mercados. Os óleos básicos minerais são utilizados na fabricação de lubrificantes industriais e automotivos, na produção e  artefatos de borracha, pneumáticos, defensivos agrícolas, óleos protetivos e de processo, plastificantes, fluídos isolantes elétricos, antiespumantes, desmoldantes, vaselinas solidas industriais, tintas e vernizes, produtos plásticos, no curtume e tratamento do couro, entre várias outras aplicações junto às Indústrias Químicas.

Para atender toda esta enorme gama de diversidade de aplicações, saiba que a CADIUM possui um pátio de tancagem superior à 1 milhão de metros cúbicos, com a armazenagem de diversos tipos de óleos básicos parafínicos e óleos básicos naftênicos, em várias viscosidades. Se você está necessitando adquirir um óleo básico mineral para o seu processo produtivo, não deixei de consultar a CADIUM. Para maiores informações envie uma mensagem através de nosso site, ou se preferir telefone, que a nossa equipe técnica e comercial estará disponível para atendê-lo. Antecipadamente agradecemos o seu interesse e a sua consulta.

 

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